Alterações histopatológicas associadas à braquiterapia intra-arterial com o samário-153
- Autor(es):
Précoma, Dalton Bertolim (Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Universidade de São Paulo. Faculdade de Medicina);
Noronha, Lúcia de (Pontifícia Universidade Católica do Paraná);
Moura, Álvaro Vieira (Pontifícia Universidade Católica do Paraná);
Yamada, Airton Seiji (Centro de Radioimunoensaio e Medicina Nuclear do Paraná);
Knopfholz, José (Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Hospital Cajuru);
Hauer, Dario Maciel;
Dusilek, Cesar (Hospital Nossa Senhora das Graças);
Perussolo, Rita (Centro de Radioimunoensaio e Medicina Nuclear do Paraná);
Olandoski, Márcia (Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Setor de Bioestatística);
MENEGHETTI, JOSÉ CLÁUDIO (Universidade de São Paulo. Faculdade de Medicina. Instituto do Coração).
- Fonte:
Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial; volume 40, número 2, páginas 113-122. Abril 2004.
- Assuntos:
Radiolesão vascular;
Braquiterapia;
Samário-153;
Células xantomatosas.
- Resumo:
A lesão da parede arterial provocada por balão de angioplastia ou implante de próteses endovasculares em modelos experimentais e humanos pode provocar a reestenose do vaso, principalmente por migração e proliferação de células musculares lisas e síntese de matriz extracelular. Vários estudos demonstraram que a braquiterapia intra-arterial atua nestes fatores e, conseqüentemente, no tratamento da reestenose coronariana. Este estudo tem por objetivo avaliar as alterações vasculares morfológicas e morfométricas induzidas pela braquiterapia com samário-153 (153Sm), utilizando uma dose considerada ideal e outra elevada em coelhos hipercolesterolêmicos. Foram analisados 43 coelhos hipercolesterolêmicos e um total de 86 artérias ilíacas submetidas à lesão por balão de angioplastia, divididos em três grupos, sendo irradiados com as doses de 15Gy (n = 14) e 60Gy (n = 36) e controle (n = 36). Foram realizadas análise morfométrica (área neo-intimal, área da camada média, área do vaso) e análise histológica qualitativa para avaliação tecidual. O colesterol médio foi de 1.362 ± 497mg/dl nos três grupos. O achado mais relevante foi uma significativa inibição da hiperplasia neo-intimal no grupo irradiado com a dose de 15Gy, maior do que o controle e com a dose de 60Gy. Na dose de 60 Gy, além de ineficaz para inibir a proliferação neo-intimal, teve características tissulares e estruturais sugestivas de radiolesão, como presença de células xantomatosas, tecidos hialino e amorfo, proliferação vascular. Estas células, bem como o aumento das dimensões morfométricas do vaso, foram proporcionais aos graus de lesão nas lâminas elásticas interna e externa, sendo observados principalmente com a dose de 60Gy. Os segmentos médios das artérias ilíacas, representando o local de maior contato com o balão, tiveram maiores alterações morfométricas e celulares em relação aos segmentos referenciais (proximal e distal) nos três grupos. Em conclusão, o grupo de artérias submetidas à irradiação de 15Gy foi eficaz para a inibição da proliferação neo-intimal. O grupo irradiado com a maior dose de 60Gy foi ineficaz para inibir a hiperplasia neo-intimal e apresentou características morfométricas e teciduais compatíveis com a radiolesão vascular.
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